Convidaram-me a olhar, a ver – a pensar; que há diferença, diferenças – outras formas de conjugar o verbo – aceitar.
Aceitei o convite; pedi desculpa e tentei justificar – porque não percebo a linguagem que a imagem quer comunicar.
- A forma? – A cor? – A Cultura?
Olhei – vi a cor, as cores, até onde a visão me permite penetrar; li os discursos, os costumes, os conceitos, até onde a aparência consegue enunciar.
Reparei – atentei na diferença que as diversas formas e culturas conseguem expressar. Não vi – diferentes, nem necessidade de aceitar, tolerar.
Há momentos que nos convidam a parar, a ver, a olhar, a reparar e a pensar – o quão importante é viajar, pela imagem, pela mensagem, para poder regressar, ao passado, onde aprendemos a conjugar o que é – fraternizar.
Há momentos que nos ensinam que todos, mesmo os melhores, podem errar – que o erro acontece e, só esse, se deve sujeitar ao escrutínio do verbo tolerar.
A forma, a cor, a Cultura, ou o modo de exteriorizar, pela aparência, os costumes ou, a genética familiar, não estão sujeitos ao juízo que a gramática outorgou à redação do enunciado da aceitação.
Há momentos que nos mostram o erro que a Revolução Francesa não conseguiu colmatar; que a Declaração Universal dos Direitos do Humanos não conseguiu sufragar.
Há momentos em que importa pensar.
Há momentos em que importa tolerar.
Jorge Manuel Ventura
Professor
Observação 1: Não ignorando poder estar equivocado, não ignoro, concomitantemente, que equívocos como os que as fotografias podem traduzir, poderão legitimar tantos erros que continuamos a perpetrar. Que possam conferir, contemporaneidade, a expressões como a que, abaixo, deixo, para revisitar.
Observação 2: No passado, diferentes culturas desenvolveram diferentes sistemas de contagem, utilizando, repetidamente, partes do corpo, a que se chama «contagem anatómica». Mais tarde, evoluímos, pela mão de Georg Cantor, matemático alemão, que abordou o problema do infinito e mostrou como continuar a contar, quando os números se esgotam.
“Mudadas, assim, as condições da cidade, em lado algum restava vestígio do antigo e íntegro costume; finda a igualdade entre os cidadãos, todos aguardavam as ordens do Príncipe sem nada temerem, já que Augusto, no vigor da idade, mantinha o estatuto, a casa e a paz”
Tácito – Século II


