VIDA

Capítulo 4

Procuro, no Baú da memória, suportada em imagens e histórias, reconstruir o momento em que, resgatado, pelas mãos, fortes e ensanguentadas, do “Adamastor” da foz, desaguei neste oceano de ventos de afeto e correntes de emoção.

Dobrado o Cabo, experimentei a aventura do mergulho, profundo, nas águas agitadas do crescimento, iluminadas pelos raios, de luz, da aprendizagem, submetido à pressão da “pressa” e à ilusão da imagem.

Fascinei-me com a beleza, intensa, da natureza submersa, adornada por corredores de luz, de cor, de vida.

Confiei no efeito, tranquilizador, das águas temperadas e, calmas, da sensatez, do equilíbrio, do amor, que nos suportam, pela força do afeto, iodado, da razão, compromisso, educação.

Explorei ruas, avenidas, cidades e vilas, desfiladeiros de vida, de luz, de escuridão, agressividade e traição, palcos de paixão, de construção – de destroços, que sinalizam naufrágios, convertidos em puérperas paisagens, fontes de vida, silvestre, opulenta, que emerge da construção e arte, desenhadas na passagem.

É o tempo, a aventura e a vida, a ambição, a conquista, a limitação, a regularidade dos dias, vencidos, pelo aproximar da noite, submetidos à inexorável condição que lhe esboça a orientação, da translação, rotativa, repetida, submetida ao sentido, único, das correntes de emoção, “alimentadas” pelo “sopro” da, incontornável, razão, de viver a aventura da beleza, do mergulho, do vislumbre do trecentésimo sexagésimo grau, de cada oxigenação.

Jorge Manuel Ventura

Professor


Observação: o capítulo 4, Vida, ocupa o quarto quadrante da construção, metafórica, do sentido, do tempo, das fronteiras, da vida.

Define a circunferência que nos baliza o quotidiano.

“ O conhecimento a que a geometria aspira é o conhecimento do eterno.”

Platão, A República

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Imagem: pintura de Salvador Dali

One thought on “VIDA

  1. Texto literário num “jogo” metafórico revelador de algo forte, pulsante … O sentido da vida (viver a aventura da beleza, do mergulho …) representado numa cadeia de elos, que se tocam nos limites, do nascimento (…“Adamastor” da foz, …) e da morte (… destroços, que sinalizam naufrágio…). A estética da existência tão bem simbolizada pela beleza da frase, “puérperas paisagens, fontes de vida, silvestre, opulenta, que emerge da construção e arte, desenhadas na passagem”. A imagem do ovo, assim como o nascer do sol, do quadro de S.Dali, traduzem na perfeição a ambiguidade de sentidos numa mensagem de (re)nascimento, de esperança, “da incontornável razão, de viver a aventura da beleza, do mergulho, do vislumbre do trecentésimo sexagésimo grau, de cada oxigenação”. Parabéns!
    Rosário Santos

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