A VERDADE

Persuadido, persigo a luz, as luzes, que iluminam a mente, despertam a consciência e estimulam a curiosidade, o interesse, o “fascínio” pelo rosto – expressão, da verdade, da razão e da relação – de causalidade.

Por quê?

Submerso na natureza “ontológica” que me expõe à “violência”, irrevogável, do “pôr-do-sol”, que há-de testemunhar a decrepitude, física, que o cronómetro registará, no final da corrida, submeto-me à autoridade, irrefutável, da “Lógica”, numa dialética que me sujeita à “discussão”, à procura e, à observância da razão.

Procuro conhecer, compreender, saber: Por quê?

Ensaio exercícios de indagação, “investigação” – frustrados, despidos, triviais e inconclusivos.

Persuadido, persigo, aconselhado pelo – ambíguo, sentido – de orientação, da emoção, que me aproxima e, afasta, da razão, na subversão do método – científico, de aproximação à expressão que, conluiada com a “Lógica”, conduzirá à redação da – conclusão, que apelido, levianamente, de: proposição.

Persuadido, persigo, em cada “discussão”, a solução para o problema, irresoluto, que permitirá assumir o certo, o errado, o verdadeiro e, o provavelmente, desacreditado.

Por quê?

Jorge Manuel Ventura

Professor


“ A matemática efetua um firme avanço, ao passo que a filosofia continua a debater-se num espanto infinito perante os problemas que confrontou desde o início”.

Michael Dummett, The Philosophy of Mathematics

“ A esperança e o medo são ficções supremas que extraem a sua força da sintaxe. São tão inseparáveis uma da outra como da gramática. A esperança contém um medo de não-consumação.

O século XX lançou a dúvida sobre os grandes teólogos, filósofos e político-materiais da esperança. Põe em questão a razão de ser e a credibilidade dos tempos do futuro. Torna compreensíveis as palavras de Franz Kafka: «a esperança é abundante, mas não é para nós».

George Steiner, Gramáticas da Criação

ACONTECE A SUDOESTE

Seduzidos, zarpamos, rumo ao Sul, à boleia das correntes, calmas, de agosto, que acompanham a maré, cheia, que os “baixios” – do Norte, não conseguiram alterar.

Conquistados, entregamo-nos aos abraços, temperados, das águas, amenas, do mar, salgado, atrevido, ousado, que nos convida a “despir”, a deitar e a fruir, das carícias do sol, escaldante, que nos marca, massaja e denuncia, em flagrante, a relação, tórrida, que não podemos negar.

De julho, levamos os ventos, do Norte, que reescreveram, lembraram, e nos convidaram, outra vez, a olhar para o mar, que nos abraça, limita, contagia e acompanha, na procura de bens, riqueza e “grandeza”, de Ceuta ao Ultramar.

Distraídos, corremos riscos, sérios, de confundir – conjuntura, estrutura, orientação, objetivos e, estratégia de navegação, que mesmo os textos, bonitos – “Ó mar salgado…”, não conseguirão contrariar, interrompendo a tendência, recorrente, da arte de naufragar.

Olhamos para Norte, invocando solidariedade, integração, sentido de estado, e de união, que a conjuntura – de crise, pandémica, social e económica, aconselha a federar.

É tempo de Verão, de descanso e distração, em que importa atentar, na Europa, na recuperação e no estado, da nação, sem esquecer que somos nós, só nós, que teremos de garantir que Portugal, atlântico, nobre, comprometido e, pobre, poderá outorgar, no futuro, maior coesão, igualdade, equidade, prosperidade e razão, sem naufrágios, estruturais – recorrentes, que nos expõem à ajuda, socorro, das marés, do Norte, que a mancha – Canal da Mancha, no futuro, poderá não aproximar.

Jorge Manuel Ventura

Professor


Observação 1: Perceber, num tempo de urgência – emergência, que não conseguimos, sequer, concertar a, estruturante, sustentabilidade do SNS, com a necessária abertura de, mais, vagas para o Curso de Medicina, com as implicações que daí decorreriam – perturba.

Nota: percebo a legitimidade de quem não outorga a medida; percebo as implicações e os constrangimentos da formação, graduada e pós-graduada; percebo a inexistência de correlação, forte, da medida, com a sustentabilidade do SNS; mas percebo, concomitantemente, que mudar, estruturalmente, precisa de medidas, simples, intencionadas e concretas – como esta.

Observação 2: desconheço o futuro, designadamente, o que acontecerá, após as eleições norte-americanas, mas ouvimos, em 2017, a chanceler Angela Merkel, declarar:

“O tempo em que podíamos contar, totalmente, uns com os outros, acabou, em certa medida. Verifiquei isso nos últimos dias. E é por isso que só posso dizer que nós, europeus, temos de agarrar as rédeas do nosso próprio destino.”

Kishore Mahbubani, A queda do Ocidente? Uma provocação

Naveguemos para Sul, mas não percamos o Norte…

JMV