A VERDADE

Persuadido, persigo a luz, as luzes, que iluminam a mente, despertam a consciência e estimulam a curiosidade, o interesse, o “fascínio” pelo rosto – expressão, da verdade, da razão e da relação – de causalidade.

Por quê?

Submerso na natureza “ontológica” que me expõe à “violência”, irrevogável, do “pôr-do-sol”, que há-de testemunhar a decrepitude, física, que o cronómetro registará, no final da corrida, submeto-me à autoridade, irrefutável, da “Lógica”, numa dialética que me sujeita à “discussão”, à procura e, à observância da razão.

Procuro conhecer, compreender, saber: Por quê?

Ensaio exercícios de indagação, “investigação” – frustrados, despidos, triviais e inconclusivos.

Persuadido, persigo, aconselhado pelo – ambíguo, sentido – de orientação, da emoção, que me aproxima e, afasta, da razão, na subversão do método – científico, de aproximação à expressão que, conluiada com a “Lógica”, conduzirá à redação da – conclusão, que apelido, levianamente, de: proposição.

Persuadido, persigo, em cada “discussão”, a solução para o problema, irresoluto, que permitirá assumir o certo, o errado, o verdadeiro e, o provavelmente, desacreditado.

Por quê?

Jorge Manuel Ventura

Professor


“ A matemática efetua um firme avanço, ao passo que a filosofia continua a debater-se num espanto infinito perante os problemas que confrontou desde o início”.

Michael Dummett, The Philosophy of Mathematics

“ A esperança e o medo são ficções supremas que extraem a sua força da sintaxe. São tão inseparáveis uma da outra como da gramática. A esperança contém um medo de não-consumação.

O século XX lançou a dúvida sobre os grandes teólogos, filósofos e político-materiais da esperança. Põe em questão a razão de ser e a credibilidade dos tempos do futuro. Torna compreensíveis as palavras de Franz Kafka: «a esperança é abundante, mas não é para nós».

George Steiner, Gramáticas da Criação