ENSAIO COVID 19 | N.º 11

(Re)nascer

“ Que mundo vamos encontrar quando sairmos à rua?”

João A. Dias, Observador | 12.04.2020


A História que, hoje, escrevemos, não admite traduções nem se sujeita a interpretações; adota uma sintaxe universal e, induz uma semântica pessoal.

(Re)interpreta a vida, os objetos e as imagens que argamassam a “consciência”, a memória e, o tempo.

A História que, hoje, escrevemos, (re)fecunda-nos num embrião que aguarda, semana após semana, no útero protetor, em que se transformou a habitação, a hora do (re)nascimento, onde a luz e, a vida, nos voltarão a abraçar.

A História que, hoje, escrevemos, devolve-nos a inocência, o desconhecimento e, o desejo e a sede de decidir, que nos emancipará, como adultos, tomando consciência de nós e do ambiente, na construção da vida, nova, outra, e da arte que a mesma exige.

A História que, hoje, escrevemos, narra a construção de novas imagens, objetos, sentimentos e emoções, que a aprendizagem nos permitirá (re)construir.

A História que, hoje, escrevemos, (re)funda os nossos sentidos, remetendo as “imagens”, os cheiros e, os ruídos, experienciados e vividos, para o baú das memórias da vida, passada, vivida, transformada.

(Re)nascidos, libertos da proteção do âmnio habitacional, num “parto” em que a argamassa nos dará à luz e, nos devolverá a luz, construiremos sentimentos, novos, e uma, também, nova, “ Consciência” de, igualmente, novas, emoções.

A História que, hoje, escrevemos, (re)interpreta a semântica dos textos e dos sentidos, permitindo-nos, livremente, interpretar o que, agora, pudemos ler, à luz do novo mundo, que nasce para nós – para o qual (re)nascemos.


Jorge Ventura

Professor

“ A existência vivida de acordo com as outras formas de excelência é feliz numa segunda ordem, porquanto as atividades que se produzem desse modo fazem parte do horizonte humano enquanto tal.”

Aristóteles, Ética a Nicómaco

ENSAIO COVID 19 | N.º 10

Perceção e Perspetiva

“TAP vai pagar acima do máximo do layoff”

Luís Villalobos, Público | 1.04.2020

Numa viagem, no tempo, levando, na bagagem, a memória e, no roteiro, a consciência, regressamos ao passado, recente, ainda presente, das passas, Champagne e gala, para assistir, em 1 de janeiro de 2020, ao encerramento do mercado, numa escala que nos levará pelo oriente, Tailândia, Coreia e Japão, de Hiroshima e dos Bonsais, verdes, ancestrais, na esperança de um regresso, cancelado, ao ponto de partida, agora isolado, em 22 de janeiro de 2020.

Regressámos, mais tarde, em 2 de fevereiro de 2020, num voo fretado, de resgate, repatriamento, de cidadãos, libertados e, logo, isolados, num “estúdio”, de “animação”, inspirado na televisão e no seu grande sucesso e, irmão, a tempo de assistir, em 11 de fevereiro de 2020, já em casa, distantes e, “protegidos”, ao batismo da nova infeção, que encerrou o mercado e isolou a nação, COVID -19, que nos convida à reflexão, hoje, nesta viagem, no tempo, ao dia das passas, Champagne e ilusão.

Chegámos tarde, foi a confusão, os atrasos, o tráfego, os aeroportos, as viagens e a globalização, que remeteu, para as calendas, 11 de março de 2020, a declaração, da COVID, como pandemia, com inquietação.

Mas somos Europa, Atenas, Roma, centralidade e, notícia, somos o centro, da infeção, em 13 de março de 2020, sob condição.

Estamos de volta, estamos em casa, fechada, protegida, isolada, mascarada, de medo, de dúvida e de convicção, de que, em 1 de janeiro de 2020, percebemos mal a informação.

Foi do barulho, da turbulência, dos aeroportos e da confusão, que já não existe, bloqueou rotas, cancelou voos, imobilizou aviões, causou estupefação, na redefinição de um tempo de transição.

Jorge Manuel Ventura

Professor

Observação: o título do “ensaio” procura relacionar a incompreensão do passado, recente, presente, e a ilusão do futuro.

O tempo, o novo e perturbador tempo, do isolamento e da estagnação, não é, julgo, apenas, um intervalo. Tenciono voltar ao tema – os exemplos da incompreensão do presente e da ilusão da recaptura do passado, são inúmeros.

ENSAIO COVID 19 | N.º 09

Forças Armadas

“Forças Armadas desinfetam, montam tendas e camas, transportam e dão alimentos.”

 Nuno Ribeiro, Público | 1.04.2020

A detonação das bombas, noticiosas, que nos estremecem os tímpanos e enternecem o coração, perante o ataque, sem escrúpulos, a alvos civis e expostos, do inimigo que nos invadiu o território e violou a soberania, provocando baixas, com vida, vidas, com história, memória, dos tempos que nos embalavam, em sonos tranquilos, e nos seguravam, a mão, numa caminhada protegida, segura, que nos defendia, protegia, do perigo e do medo, de tudo, da noite e do escuro, trouxe, à luz, do dia, dos dias, estranhos e vividos, protegidos, escondidos, as Forças Armadas e a sua ação e missão.

São dias de crise, de perigo, de atenção e preocupação, que nos educam, reeducam, num exercício de memória do tempo da obrigação, do recenseamento, que nos dizia e fazia, sentir, mancebos, pequenos, numa instituição pesada, gigante, fundamental e relevante, para a vida, proteção e nação.

A crise, global, que, hoje, indiscriminada e arbitrariamente, se abateu sobre nós, invoca o conflito e a ação, concertada e subordinada, a princípios, tratados e pactos, partilhados, assumidos e assinados, por todos, representados nas instituições, que nos representam, a nós e às nações.

Observação: os tempos que vivemos, de ajuda transnacional e intervenção Militar, trazem-nos à memória os tratados, internacionais, fundamentais e fundacionais, do que, hoje, somos, e, hoje, como ontem, somos estado, nação, bandeira, instituição e razão, em reconhecer, na instituição, Militar, um pouco de nós.

As Forças Armadas representam-nos, hoje, em território nacional e internacional – no âmbito da NATO, da ONU, ou fruto de necessidades e preocupações bilaterais ou multilaterais, evocando o Pacto Atlântico, assinado em Washington, curiosamente, em abril, de 1949, que nos aviva o princípio da solidariedade e da proteção, mútuas, podendo inferir-se do seu artigo 5.º, o que hoje vivemos e percebemos – um por todos, todos por um, à imagem do oportuno – cuide de si, cuide dos outros.

Nota: O Pacto Atlântico foi assinado, em Washington, em 4 de abril de 1949, pelos cinco países signatários do tratado de Bruxelas, os EUA, o Canadá, a Noruega, a Dinamarca, a Islândia, Portugal e Itália.  

Jorge Manuel Ventura

Professor