(Re)nascer
“ Que mundo vamos encontrar quando sairmos à rua?”
João A. Dias, Observador | 12.04.2020
A História que, hoje, escrevemos, não admite traduções nem se sujeita a interpretações; adota uma sintaxe universal e, induz uma semântica pessoal.
(Re)interpreta a vida, os objetos e as imagens que argamassam a “consciência”, a memória e, o tempo.
A História que, hoje, escrevemos, (re)fecunda-nos num embrião que aguarda, semana após semana, no útero protetor, em que se transformou a habitação, a hora do (re)nascimento, onde a luz e, a vida, nos voltarão a abraçar.
A História que, hoje, escrevemos, devolve-nos a inocência, o desconhecimento e, o desejo e a sede de decidir, que nos emancipará, como adultos, tomando consciência de nós e do ambiente, na construção da vida, nova, outra, e da arte que a mesma exige.
A História que, hoje, escrevemos, narra a construção de novas imagens, objetos, sentimentos e emoções, que a aprendizagem nos permitirá (re)construir.
A História que, hoje, escrevemos, (re)funda os nossos sentidos, remetendo as “imagens”, os cheiros e, os ruídos, experienciados e vividos, para o baú das memórias da vida, passada, vivida, transformada.
(Re)nascidos, libertos da proteção do âmnio habitacional, num “parto” em que a argamassa nos dará à luz e, nos devolverá a luz, construiremos sentimentos, novos, e uma, também, nova, “ Consciência” de, igualmente, novas, emoções.
A História que, hoje, escrevemos, (re)interpreta a semântica dos textos e dos sentidos, permitindo-nos, livremente, interpretar o que, agora, pudemos ler, à luz do novo mundo, que nasce para nós – para o qual (re)nascemos.
Jorge Ventura
Professor
“ A existência vivida de acordo com as outras formas de excelência é feliz numa segunda ordem, porquanto as atividades que se produzem desse modo fazem parte do horizonte humano enquanto tal.”
Aristóteles, Ética a Nicómaco
