Porquê?


Interrogo-me, quando me interpelas, no calor da despedida – por que te olho? Por que te abandono? Por que te furto o sorriso, o olhar, a expressão?
(…)
Questiono-me, quando te olham, procurando ver-me – no silêncio, acético, de um grito de dor, de saudade, de amor; por que desisto? Por que te deixo? Por que te dispo?
(…)
Pergunto-me, porque me recordo do teu olhar tranquilo, com quem dialogava – por que o dizias? Por que o pedias? Por que não mentias?
(…)
Lembro-me, das longas conversas – íntimas, autênticas, moderadas – pela solidão da noite que espreitava a luz, rasgava as portadas e, mostrava as estrelas, o brilho, o olhar – expressivo, com que comunicavas, rias, choravas.
Porquê? Por que me trouxeste? Por que não fugiste? Por que não me traíste?


Jorge Manuel Ventura
Professor

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“Cada frase que pronuncio deve entender-se não como uma afirmação, mas como uma pergunta”.
Niels Bohr, Prémio Nobel da Física – 1922

“ A verdade e a clareza são complementares”.
Niels Bohr, Prémio Nobel da Física – 1922

“ O tempo passado é finito, o tempo futuro é infinito”.
Edwin Hubble, The Observational Approach to Cosmology (1937)