Capítulo 2
Olhei as horas, percebi o tempo, o momento, do dia, que se curvava, amena e humildemente, deslumbrado, fascinado, com o aproximar da noite, discreta e elegante, que nos convida ao regresso e nos estimula à viagem, pela história, memória, do dia, que a notícia desperta e, o silêncio – ruidoso, aproxima.
Saí, percorri o vazio, transpus a fronteira, regressei.
Viajei, pelo dia, pela notícia, pela memória, pela História, recente, onde, a cada ocaso, definido, calendarizado, transitório, sucede um – novo, (re)começo, definido, calendarizado, transitório, que parcela o tempo, o nosso tempo, contado – medido, em horas, dias, meses, anos, histórias, memórias.
Amanhã acontecerá um novo dia, que se submeterá à noite, à notícia, à História, às histórias. Previsível, manter-se-á incerto; misterioso, manter-se-á fascinante; conquistado, revelar-se-á comum.
Confundir-se-á com o tempo, o nosso tempo – esgotado, vivido, passado.
Amanhã acontecerá um novo dia, viver-se-á o futuro, fiel ao passado, ao experimentado, à expansão, à retração, à verdade, à ilusão, à promessa e à convicção.
Amanhã acontecerá o futuro, que se confundirá com o passado.
Hoje, percebi o tempo, a ilusão, o fascínio do novo e, a inevitabilidade, da repetição.
Amanhã, a noite, discreta e elegante, sucederá, de novo, ao dia.
Jorge Manuel Ventura
Professor
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Observação: Recorrentemente, somos confrontados com a inevitabilidade do que, invariavelmente, assumimos por – austeridade. Invariavelmente, a mesma quer significar cortes, congelamentos, impostos, certificados…
Nota: poder-se-ão descobrir novas fronteiras?
“ A cultura como um todo, nas suas várias manifestações, subsiste pela tradição.
A tradição é o esquecimento das origens.”
Edmund Husserl, The Origin of Geometry
