INCÓGNITO (3)

(Ep. 3)

Levámos cadernos, lápis de cor, uma manta – velha, de trapos, tecida no tear, e fomos, para junto da árvore, daquela árvore, para onde, sempre, queria voltar. Hoje, hoje vamos aprender, dizia com um brilho nos olhos, que só o Sol, luminoso e forte, parecia ofuscar. Vamos desenhar, o Sol, as folhas, a sombra, que naquele dia, de verão, quente, se esboçava no chão, denunciando o namoro, discreto, que o Sol e a árvore, aquela árvore, naquele dia, pareciam encetar.

Ouvi, escutei a explicação e olhei – para a sombra, que, devagar, parecia folhear o livro que, ali, dizia guardar.

Hoje, hoje vamos desenhar, e com o desenho aprender a ver, a olhar, a perceber, o que significa crescer, viver, para ser – livre e poder viajar, como a sombra, que nos deixará, quando o Sol partir e, com ele, a levar.

Hoje, hoje vamos desenhar, e no desenho ler o que significa poder partir, viajar, crescer – livre, e poder regressar, àquele lugar, onde a árvore – aquela árvore, nos aguardará, sempre, sem nos questionar – sem nada exigir, estando disponível para nos mostrar o que é a liberdade – para poder pensar.

O Sol, radiante, brilhava no ar, sobre aquela árvore que, imóvel, me ensinou o quão importante é olhar, ver, pensar, reconhecer e valorizar quem nos aguarda, nos escuta, nos mostra que somos livres, que podemos partir e regressar.

Foi aqui, neste lugar, junto a esta árvore, com esta árvore, que percebi o seu gosto pela Botânica, pelos espelhos, pela oftalmologia, pelos outros, pela importância de ver, de olhar.

(Continua…)

Jorge Manuel Ventura
Professor

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