(Ep. 2)
Era atento, preocupado, peculiar no que, diligentemente, pretendia ensinar.
Naquele dia, agitado e azafamado, estávamos , todos, a preparar o regresso, desejado, de férias, prolongadas, a este lugar. Após o almoço, com sobremesa – era domingo, 28 de junho de 1981, levou-nos, tranquilamente a passear, pelas ruas, quentes, numa tarde solarenga de junho, até ao parque, onde se vendiam gelados – sorvetes; e, eu conhecia bem o sabor e a textura daqueles sorvetes – era a senhora, de avental com bolsos fundos, que eu conhecia do portão da escola, que vendia pastilhas – gorila, que cariavam os dentes aos menos cuidadosos e mais gulosos; e onde, num lago, de águas paradas, toldadas, se viam barcos – gaivotas, e patos.
Regressámos depois, como previsto, a este lugar, onde, sentado, no chão, me quis ensinar a ver, a sentir, a olhar.
Interrogou-me: o que viste no passeio de domingo, nas ruas, no parque, no passeio – calçada? O que aprendeste ao caminhar?
Vi patos, barcos – gaivotas, pessoas, carros, gelados.
Percebi, então, com a explicação, o que não vi; a razão do passeio, na tarde – de arrumação, agitada, ansiada, de preparação do regresso, imperativo, ao lugar que lhe fazia falta, e onde me pôde ensinar que, na cidade, caminhamos pelas ruas, parques, praças e avenidas, desenhadas, cuidadosamente, e vestidas – de árvores, arbustos, canteiros e bustos, que não vemos, não sentimos, não olhamos – não percebemos – a vida, que comungamos.
Foi aqui, neste lugar, junto a esta árvore, com esta árvore, que percebi o seu gosto pela Botânica, pelos espelhos, pela oftalmologia, pelos outros, pela importância de ver, de olhar.
(Continua…)
Jorge Manuel Ventura
Professor

