AUSÊNCIA


Agora, quando o oeste esconde os raios, temperados, da luz que perdeu o norte, relembro, com estrondo, a noite, fria, procelosa, em que cedi à frustração, ao esquecimento, à solidão.
Relembro os tempos, radiosos, de verão, de expansionismo, de ilusão. Lembro os tempos, nublados, de contração, de resistência, de ruído, de frustração.
Presente, estive ausente, esquecido, negligenciado, ignorado.
Agora, quando o oeste esconde os raios, temperados, da luz que perdeu o norte, quando a noite, a crise e a frustração se aliam, se conjugam, numa conspiração, ausente – estou presente, omnipresente, e com poder de persuasão.
Agora, olham-me, procuram-me, no vazio da ausência; reparam nas linhas, disformes e persuasivas da cedência; percebem a relevância e a diligência da presença.
Ausente, estou presente, omnipresente, indisfarçável e proeminente.
Ausente, evoco, o passado; presente, aconselho o futuro; consciente, temo, o risco, do tempo dos raios, madrugadores, de leste; da luz, quente, dos dias de verão, de esquecimento, de negligência, de ilusão, de ausência.
Continua…


Jorge Manuel Ventura
Professor

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“Tão importante como fixar-se no essencial é prescindir do secundário”
Josef Loschmidt
“No mais obscuro horizonte, procuramos sinais que sejam levemente mais significativos do que os erros observacionais. A investigação continua.
O desejo é mais velho do que a história.
Não se satisfez e não será oprimido.
Edwin Powell Hubble