SENTIDO(S)

Capítulo 3

Atento, olho a vírgula, o ponto, o espelho.

Reparo, leio as pregas, os vincos, a expressão e a córnea – que me traz a luz e protege a retina, que me mostra o mundo, os corpos, os objetos, as cores, os sorrisos, as lágrimas, as emoções, a felicidade.

Percebo o tempo, as células e a velocidade – da luz, do pensamento, do “ruído” da verdade.

É a imagem, a natureza, a vida, a emoção, a razão – do sentido, da viagem.

Disfarço as rugas, abraço a fragrância, conjugo a(s) cor(es), a(s) textura(s), o “tempo”, os espaços, que reservam estímulos, arquitetam emoções, dão sentido às relações.

Atento, olho a vírgula, o ponto, o espelho.

Reparo, em mim, observo – leio, o outro, os outros, procuro a razão, a verdade, a justiça, a felicidade.

Consciente, aventuro-me no palco da relatividade do espaço-tempo, que me desnuda, absoluta e inelutavelmente, perante a atração dos estímulos, tão fortes como a força gravitacional que atrai «as maçãs de Newton» e, «a Lua, de Einstein».

Atento – observo, sinto, penso, decido, vivo.

Atento, olho a calçada, o passeio, enrugado, pela expressão dos anéis, alimentados pelos raios, de luz, que atraem, da opacidade subterrânea, as raízes, fortes, que arquitetam avenidas, cumprimentam a primavera, e nos “inspiram” – a viver.

Jorge Manuel Ventura

Professor

“Toda a arte e toda a investigação, e similarmente, toda ação e escolha, parecem prosseguir um qualquer bem; de acordo com isto, declarou-se, corretamente, que o bem é aquilo que por que tudo anseia.”

Ética a Nicómaco – 1094 a 1