ENSAIO COVID 19 | N.º 12

AURORA

Terminamos, hoje, a contagem, lenta, dos dias de emergência; iniciamos, amanhã, a contagem, ponderada, dos dias de calamidade.

Vivemos dias incomuns; experimentamos o medo, a incerteza, a notícia – repetida, submetida, confinada – que nos trouxe as ruas, as palmas, as telas e as salas, de onde redescobrimos as praças, os vizinhos, os sons e os passarinhos, num refúgio, sanitário, que nos mostrou aviões, estacionados; navios, amarrados; hospitais, sobrelotados; e nos aproximou, o mundo, acorrentado ao medo, à incerteza, e à notícia – repetida, submetida.

Amanhã, iniciamos a viagem de regresso ao aconchego dos dias que a memória guardou e, aludidos, nos devolvem a esperança de que, o comum, “tudo vai ficar bem”, possa traduzir, o desejado, “tudo vai ficar igual”.

Hoje, terminamos a contagem dos dias de emergência; amanhã, começamos a fazer, as contas, a que a “calamidade”, num enunciado, confuso, impreciso, desestruturado e, inaudito, nos apresentou.

Na viagem que, hoje, terminamos, com escala em doze ensaios e, uma opinião, “fotografámos / fotografamos” a nossa condição, biológica; a nossa dimensão, social, económica, política; a nossa predisposição, solidária; e a nossa acuidade, crítica.

Amanhã, iniciamos uma nova viagem, que nos levará a olhar, para nós, para os outros, para as instituições, para Portugal, para as nações, para a solidariedade e as gerações.

Amanhã, iniciamos uma nova viagem, autorizada, que nos levará à descoberta de novas latitudes, conhecidas, reconhecidas, exploradas, inexploradas, mas sempre, estou convicto, projetadas, numa imagem, passível de correções, aprovações, reprovações e, opiniões.

Bem-vindos a bordo.

Muito obrigado.

Jorge Manuel ventura