AMAR EM TEMPO DE MEDO

Caminho, sobre as labaredas que não me deixam abrandar, assustado, pelo zumbido, forte, de um ciclone, que me persegue, e não me permite sossegar.

É um tsunami, de adrenalina, que jorra, em correntes, fortes, que correm, fugindo, agitadas, do estrondo do trovão, que ensurdece, a cada bater do coração.

É a explosão, violenta, ruidosa, do invólucro da razão, que se fragmenta, expande, e me faz corar, transpirar, e sentir a confusão.

Confuso, caminho, sozinho, agitado, tomado pela emoção, que se aproxima, indiscreta, coreografando, sobre as brasas, o crepitar da combustão.

É o susto, o salto, o imprevisto, o quebrar da bússola e a desorientação.

É o tempo, que me foge, que se esconde, me oculta o caminho e ameaça com a evasão.

É o tempo, sempre o tempo, que me parece assustar.

É o tempo, também o tempo, que eu quero conquistar.

É o medo, de não ter tempo, para inventar novas formas de amar.

Jorge Manuel Ventura

Professor


“ Antes do século xx, os cientistas tinham tomado como certo que espaço e tempo são coisas diferentes. Na verdade tempo e espaço, parecem ter caraterísticas muito diferentes: o tempo flui do passado para o futuro, enquanto o espaço parece estar «todo ali», de uma vez. Portanto, foi uma releitura radical da natureza a de Hermann Minkowski quando, na sua interpretação matemática da teoria da relatividade restrita de Einstein, prescindiu de «espaço» e «tempo» como entidades distintas e os substitui por uma única entidade: o espaço-tempo. Como afirmou, ousadamente, Minkowski: «Doravante, o espaço em si, e o tempo, em si, estão condenados a dissolver-se em meras sombras, e só uma espécie de união dos dois preservará uma realidade independente».”

Philip Goff, O erro de Galileu

“Ao sair de casa talvez tenhamos a sorte da passar pela praia e contemplar no mar a linha do horizonte, até onde a nossa vista alcança, nos confins da superfície do planeta. Quem alguma vez pensou em questões matemáticas enquanto contemplava o horizonte?”

Na sua obra Ciclos, o escritor Espanhol que se celebrizou com as iniciais F.M. vê no horizonte um bom lugar para situar a utopia:

“Para que serve a utopia? Ela está no horizonte. Se me aproximo dez passos, o horizonte afasta-se dez passos mais para lá. É para isso que ele me serve, para aprender a andar”.

A afirmação é correta, pois os passos são efetuados sobre uma esfera.

Miquel Albertí, A Criatividade em Matemática AMAR