RANKINGS – Uma Sucessão de Equívocos

Uma Sucessão de Equívocos

Recorrentemente, somos confrontados com interrogações para as quais procuramos resposta, ou, alternativamente, respostas, que possam suportar – acreditar, as nossas experiências, vivências, emoções, impulsos, deduções, conclusões.

Na dúvida, não hesitamos em adotar a prudência, nas conclusões, e decisões.

“Não basta, de facto, ter o espírito bom: o principal é aplica-lo bem.”1

Recorrentemente, animados pela proximidade e familiaridade com as experiências – quotidianas, somos conduzidos por caminhos que nos precipitam em conclusões e decisões que que não suportámos, acreditámos, por meio de respostas a questões, interrogações.

“Todavia, pode acontecer que me engane e talvez não passe de um pouco de cobre e de vidro o que tomo por ouro ou diamantes”. 2

O que é a escola? O que é a Escola? O que é uma escola?

Recorrentemente, falamos de escola, de Escola e, da escola, sem atentarmos no que possam querer significar.

Recorrentemente, são-nos apresentados rankings – listas ordenadas, de onde decorrem deduções, conclusões e decisões, sobre as “melhores”, as “piores”, as “razões”, as “condições” e, peço desculpa pelo abuso e inadequação, as ilusões.

“Sei quão sujeitos estamos a iludir-nos naquilo que nos toca e como devemos suspeitar dos juízos dos amigos quando a nosso favor.” 3

Em 27 de junho, último, após a divulgação dos Rankings 2019, li, ouvi e vi, títulos, textos, intervenções, entrevistas, onde se identificavam as “melhores”, as “piores”, e se perguntava a razão, as razões, enunciando-se deduções e inspirando decisões.

Questões legítimas, que nos parecem oportunas, mas que nos traem nas respostas.

“ Testemunha-se, antes, que a faculdade de bem julgar e distinguir o verdadeiro e o falso – propriamente o que se chama de bom senso ou a razão (…)” 4, carece do maior rigor e atenção, exigindo, a montante de respostas, interrogações que suportem, acreditem, as conclusões, as decisões.

O que é a escola? O que é a Escola? O que é uma escola?

“Igualmente se testemunha que a diversidade das nossas opiniões não vem de uns serem mais razoáveis do que outros, mas só de conduzirmos os nossos pensamentos por diferentes caminhos e de não considerarmos as mesmas coisas” 5.

Jorge Manuel Ventura

Professor

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1,2,3,4,5 Descartes, Discurso do Método

Observação: O texto que, acima, partilhei, reflete uma imagem bonita da matemática.

Reflete uma anedota que se conta e traduz o rigor da matemática:

  • Numa viagem pela Inglaterra, viajavam um astrónomo, um engenheiro e um matemático. Ao olhar pela janela, o astrónomo observa com admiração uma ovelha negra que corre pelos campos. Diz aos seus colegas: – que curioso, na Inglaterra todas as ovelhas são negras. O Engenheiro, delicadamente, corrige-o: – Não, não. Na verdade algumas ovelhas são negras. O matemático corrige-os, com autoridade: – na Inglaterra, existe pelo menos um campo, que contém pelo menos uma ovelha, a qual tem pelo menos um dos lados de cor negra.

Nota: No próximo texto, que partilho, em simultâneo, também se lê a beleza da simetria.

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